Coringa | Crítica

Coringa Crítica Woo Who

O personagem conhecido por todos como um dos vilões de Batman, o Coringa começou a ganhar destaque com Heath Ledger na trilogia de Batman Cavaleiro das Trevas. Ledger levou pra casa o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e deixou o personagem marcado para sempre. Anos depois, o papel foi passado para Jared Leto, que interpretou o palhaço apenas como um homicida insano, sendo criticado por muitos. Agora é a vez de Joaquim Phoenix ganhar os holofotes não só assumindo o papel, mas ganhando o destaque em um filme solo, dedicado especialmente ao personagem.

Arthur Fleck (Joaquim Phoenix) trabalha como palhaço, tentando ganhar o mínimo pra sustentar ele e sua mãe em um apartamento caindo aos pedaços. Após ser demitido, a vida de Arthur também começa a despencar. Após descobrir inúmeras mentiras em sua vida, o Coringa nasce.

Coringa é um drama policial, que foca na decadência de um homem.
Com Todd Phillips na direção, o personagem e sua história tomaram um novo rumo. Dizem que um vilão é aquele que não teve sua história contada e esse filme decide provar que a linha entre ser vilão e ser um ser humano é inexistente. Coringa não é “apenas” mais um inimigo de Batman, ele agora é um homem com sérios transtornos mentais, decorrentes de uma vida cheia de traumas, que se cansa de todas as injustiças do mundo. O Coringa deixa de ser apenas um homem insano e apaixonado pela morte, e passa a ser uma criação do ambiente em que vive. Indignado com a vida dos ricos, apenas uma atitude de Arthur já é o bastante para mudar não só sua própria vida, como de uma cidade inteira.

O próprio diretor disse que queria fazer um filme que parecesse lançado em 1979. Inspirado em Martin Scorcese e Sidney Lumet, Phillips queria apresentar um personagem complexo que desafiasse a plateia. E ele conseguiu. O novo Coringa consegue trazer sentimentos contrastantes e, muitas vezes, opostos, para o espectador, que não consegue decidir se gosta ou não do personagem. Embora profundamente perturbado, com problemas mentais sérios e extremamente violento, Arthur Fleck também desperta dó com sua história de vida sofrida e traumatizante. A obra deixa claro que não existe pessoas boas ou ruins, mas que todo mundo possui defeitos e qualidades.

É um filme de personagem, com toda história rodando ao redor do protagonista. A narrativa acompanha a destruição e queda de um homem até ele se tornar um símbolo de caos e violência, o Coringa. E Joaquim Phoenix consegue trazer esse homem à vida com muita naturalidade. O ator não tropeça em momento algum ao interpretar essa mudança rápida e constante de emoções intensas. Ele passa essas emoções com tanta força, que o espectador consegue sentir o desespero do personagem, entendendo como as circunstâncias levaram à insanidade de Arthur.

A trilha sonora também casa perfeitamente com o filme, deixando as cenas ainda mais sóbrias. O uso da trilha lembra em muitos momentos o filme Nós (Jordan Peele); ambos os filmes criam uma atmosfera parecida, além de ambas debaterem problemas sociais atuais. A obra é crua e retrata uma violência real, que acontece todos os dias no mundo inteiro. A injustiça que todos sentimos é o que faz com que um indivíduo com inúmeros transtornos mentais acabe se tornando o ícone da violência. Coringa é um filme pesado, que faz por merecer a classificação indicativa para mais de 17 anos (Rated R) que ganhou nos Estados Unidos.

Com inúmeras referências e algumas homenagens, os fãs da DC vão perceber vários detalhes que são acenos do diretor. Inclusive um aceno especial para a Marvel.

É um filme denso que abre as portas para uma nova era cinematográfica para a DC, uma era com personagens e problemas muito mais intrínsecos e reais. A empresa ganhou uma nova oportunidade para recriar seu universo e restruturar seus personagens, e Coringa foi um início épico para essa era.

Confira abaixo o trailer oficial do longa:

Para mais informações sobre Coringa, curtam e sigam nossas Redes Sociais.