Era Uma Vez Em… Hollywood | Crítica

Era Uma Vez Em... Hollywood Crítica Woo Who

Sempre como vilão em seus filmes de faroeste, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) se dá conta dos problemas com sua carreira e decide mudar isso. Com a companhia de seu melhor amigo e dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), suas vidas se entrelaçam com as de grandes celebridades hollywoodianas dos anos 60 e 70, como Sharon Tate (Margot Robbie) e Roman Polanski (Rafal Zawierucha).

A produção ainda conta com inúmeras referências e participações especiais de atores como Al Pacino e Dakota Fanning.

Com a direção de Quentin Tarantino (Kill Bill), o filme já era esperado por todos que são fãs de seu estilo de filme. E nesse quesito, o longa não decepciona. Tarantino mantém seu estilo ao mesclar personagens fictícios à vida real de Sharon Tate. O gênero também é uma mistura de comédia e drama, sem perder na ação e na violência já conhecida do diretor.

Embora Tarantino já seja conhecido por sua comédia dramática e violenta, ele brilha ao criar seus personagens aqui, principalmente os que interpretam atores e atrizes. Desde o protagonista Rick Dalton e sua dramaticidade e sensibilidade, criando situações dramáticas, mas engraçadas; até a atriz mirim Trudie (Julia Butters), que com apenas 8 anos é o esteriótipo do ator que leva seu trabalho a sério demais, o que colabora para o drama de Dalton. Até mesmo as cenas mais violentas possuem traços sutis de comédia. Com apenas a expressão dos personagens, Tarantino consegue arrancar risadas dos espectadores.

Porém, nem por isso o filme deixa de tratar assuntos sérios. Desde algumas críticas escondidas na narrativa, sobre o estilo de vida pessoal e profissional em Hollywood, até os problemas com álcool e drogas da época, o filme é um drama. E para quem conhece a história real de Sharon Tate, o drama se intensifica quando ela aparece como uma das personagens em destaque.

Juntando um personagem fictício e uma celebridade morta, o diretor recria a história, inserindo um grande “e se?”. E se houvesse um ator de faroeste nos anos 60 que tivesse um melhor amigo dublê e fosse vizinho de Roman Polanski e Sharon Tate?

O figurino e a ambientação do filme são um destaque. As roupas iguais às de Sharon Tate para Margot Robbie aumentam a sensação de veracidade; assim como a onda hippie típica da época. A sensação muitas vezes é a de estar assistindo à um documentário. E outro recurso que reforça essa sensação é o uso do narrador.

Após um pulo temporal de alguns anos, um narrador aparece para explicar as mudanças que aconteceram nesses anos e causa no espectador a impressão de estar assistindo a um documentário sobre uma história real. A narração parece estar pontuando fatos que aconteceram na vida real, mesclando essas informações falsas com verdadeiras.

O filme é longo, com 2 horas e 45 minutos. Porém, a montagem paralela – com duas cenas em lugares diferentes, com personagens diferentes e suas histórias – distrai o espectador, fazendo o tempo passar sem sem percebido. Além disso, insere inúmeros flashbacks escondidos, sem pontuar exatamente o tempo. Assim, a linha do tempo é confusa, o que ajuda a chocar o espectador quando relances do culto de Charles Manson começam a aparecer.

Era Uma Vez Em… Hollywood de início parece apenas um filme sarcástico de comédia que tem celebridades como o alvo da piada. No entanto, o longa guia o espectador para um fim incerto. Para os que conhecem a história de Sharon Tate, a ansiedade vai sendo construída para o que irá acontecer no dia 9 de agosto de 1969.

Com comédia, drama, suspense e um pouco de ação, Tarantino mantém seu estilo, mas sem criar algo previsível. Mesmo longo, é um filme que merece atenção tanto por seu lado fictício quanto por seu lado histórico. O longa estreia dia 15 de agosto.

Confira abaixo o trailer oficial:

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