Espírito Jovem | Crítica

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Longa acompanha a jovem de descendência polonesa Violet (Elle Fanning) que decide seguir seu sonho e se tornar uma cantora. Apostando no programa de talentos “Espírito Jovem”, a adolescente consegue ajuda de Vlad (Zlatko Burić), um ex-cantor de ópera.

Espírito Jovem não é sobre vencer ou se tornar famosa, mas sobre as dificuldades da vida. O importante é o caminho até o fim, não o fim em si, o que pode surpreender. Por conta disso, a narrativa se torna bem mais complexa e real, mais crua em relação aos sentimentos da personagem e seus erros e acertos.

O filme é um drama que acompanha a mudança repentina na vida de uma adolescente e a necessidade do amadurecimento súbito para se tornar uma estrela. Espírito Jovem aborda desde problemas mais pessoais da personagem como temas de preocupação mundial. Pobreza, xenofobia e preconceitos em geral são trabalhados de forma suave, sem tornar o filme político, mas colocando esses tópicos como obstáculos a serem superados.

A narrativa às vezes parece apressada, ao tentar mostrar Violet indo para as audições e afins, talvez por não fornecer uma linha de tempo clara. Não é possível saber com certeza quanto tempo passa entre cenas, o que dá uma sensação de que tudo está indo rápido demais. Há uma percepção de um show de uma noite, mas o filme não explica como o programa Espírito Jovem funciona.

Além disso, os outros finalistas do programa não são mostrados, o que também pode incomodar um pouco, já que deixa o espectador no escuro, sem saber o nível de Violet perto dos outros e sem conseguir fazer suposições sobre a vitória. Porém, como o foco da trama e na trajetória da protagonista, é possível ignorar o problema.

O desenvolvimento dos personagens é bem realizado. Não só a própria Violet cresce, mas todos ao seu redor parecem crescer junto. A mãe (Agnieszka Grochowska) precisa acompanhar a evolução da filha para não perdê-la, assim como deixar para trás problemas que seguravam a família. Vlad, seu mentor, também precisa confrontar os próprios arrependimentos para guiar Violet. O que é visto, portanto, é a vida real, em que um grande acontecimento abala um grupo e as pessoas têm que reagir à essa mudança.

A atuação de Elle Fanning também faz a diferença. A atriz consegue ser expressiva e transmitir apenas com o olhar os sentimentos de sua personagem.

Visualmente, o filme muitas vezes leva o espectador direto para um programa de talentos, seguindo o estilo desses programas fielmente.

A produção entrega um estilo de filmagem, enquadramento e edição ao acompanhar Violet em sua vida e outro totalmente diferente ao mostrar o programa de TV. A sensação é que as imagens foram retiradas de um programa de talentos real e acopladas ao filme, essas transições acabam funcionam muito bem.

O longa emprega o recurso de trazer as músicas que o personagem usa como trilha-sonora, como já foi feito anteriormente no filme “Em Ritmo de Fuga”. No entanto, em Espírito Jovem a narrativa é guiada através da música; e no momento em que a ausência dela, as cenas ficam cruas e obrigam o expectador a sentir a emoção de Violet ainda mais intensamente.

Espírito Jovem, portanto, consegue passar sua mensagem e ainda entreter artisticamente. O espectador sente ao fim do filme que passou por tudo aquilo junto com a protagonista. Vale a pena conferir e ficar para o pós-crédito, que traz algumas informações extras sobre o futuro de Violet.

O filme dirigido por Max Minghella (The Handmaid’s Tale) é distribuído no Brasil pela Diamond Films e tem data de estreia marcada para dia 20 de junho de 2019.

Confira abaixo o trailer oficial do longa:

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