Corpo e Alma | Crítica

Corpo e Alma | Crítica

Corpo e Alma é uma história de amor que acontece de maneira improvável, um filme da diretora Ildikó Enyedi, um romance que se desenvolve entre sonhos e um matadouro. Alexandra Borbély vive Mária, uma mulher extremamente detalhista, com uma memória invejável, que aplica em seu trabalho de maneira peculiar essas habilidades. Géza Morcsány é Endre, um dos diretores da empresa em que Mária começa a trabalhar, logo ao primeiro olhar Endre é atraído por Mária, mas seus mundos passam a realmente coexistir quando descobrem que todas as noites compartilham o mesmo sonho.

Um filme pra quem tem estômago forte, apesar da premissa ser um romance, Corpo e Alma possui vírgulas marcantes desde os primeiros minutos, com cenas explicitas da realidade de um matadouro, detalhe que confere ao longa momentos que destoam vertiginosamente, se apoiando da montarem para costurar de forma coerente os ecos visuais, momentos de tensão, sonho e realidade. As cores são mais um acerto do longa, ambientam muito bem cada quadro, com planos que condicionam o olhar do espectador aos detalhes expostos.

Mária é a personagem mais interessante dentro do que o filme se propõe, sua curva de aprendizagem deixa o espectador com vontade de saber ainda mais sobre suas especificidades, Alexandra Borbély consegue expressar de forma muito natural as nuances de Mária. Géza Morcsány não fica muito atrás, não se precisa de muito para se entender Endre, sua relação com seu braço paralizado, e com as pessoas que o cercam, um homem que externa em suas expressões a experiência de uma vida. É fantástico como os dois funcionam bem em cena.

Corpo e Alma fala sobre o encontro de duas pessoas quebradas e suas limitações, conduzindo o expectador a momentos únicos. O filme chega aos cinemas brasileiros em 21 de dezembro.

 

 

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